Consulta Psiquiátrica

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Ficar apreensivo é muito comum quando se vai a uma consulta com um psiquiatra pela primeira vez, pois o grande receio é receber um diagnóstico que confirme que há algo anormal ou sério com a própria pessoa. É natural que seja assim; na nossa história e cultura, a psiquiatria esteve exclusivamente associada à loucura, anteriormente chamada de alienação mental. Porém, a maioria das pessoas que procura um psiquiatra em um consultório, ou mesmo em clínicas, o fazem por questões mais simples do que essa.

Na realidade, mesmo as situações em que há alucinações ou delírios (psicoses) são quadros de gestão mais simples e pouco trabalhosa. É claro que as situações que ocorrem especificamente em serviços de emergência psiquiátrica costumam apresentar sintomatologias mais intensas e requerem procedimentos mais adequados a esse nível.

A maioria dos transtornos mentais ocorre em decorrência de alterações funcionais no sistema nervoso central; contudo, não afetam a sua estrutura com alterações lesionais no tecido nervoso. Na maioria das vezes, são passageiras e respondem prontamente ao uso de psicofármacos (medicamentos).

Quando procurar uma psiquiatra?

A pessoa deve procurar a orientação de um profissional da área de psiquiatria quando perceber que há disfunções em sua vida cotidiana, quer seja no rendimento no trabalho e nas suas relações interpessoais (do trabalho, amigos, familiares e relacionamentos afetivos), quer seja na sua disposição para ler, estudar, se concentrar, memorizar ou para fazer suas atividades e tarefas corriqueiras. Também deve ficar alerta se perceber que seu humor está permanentemente alterado ou instável, se seus pensamentos lhe perturbam e ficam presos em ruminações mentais ou atitudes compulsivas. Deve observar, ainda, quando possui a tendência de viver mais no futuro, apreensivo e tenso com o que está fora do próprio controle, quando tem a constante sensação de ser perseguido ou quando seu ciúme está fora do controle e gera tumulto em seus relacionamentos. Enfim, toda vez que perceba que a vida está saindo do controle e tornando-se menos funcional.

De maneira geral, a psiquiatria está mais associada ao estudo do funcionamento psíquico; a psicoterapia, por sua vez, mas ligada às funções e questões psicológicas e existenciais. Dentro dessa mesma perspectiva, disfunções psíquicas têm mais a ver com alterações na bioquímica cerebral e, portanto, afetam o corpo e os tecidos nervosos. É um estado além do psicológico, que sai da subjetividade psíquica e instala-se na concretude dos neurônios.

Duração do tratamento

 Um tratamento psiquiátrico propriamente dito varia conforme a gravidade e o tempo de instalação do quadro clínico. Em quadros leves, pode durar de oito meses a um ano de tratamento; nos casos mais crônicos ou mais graves, pode durar, no mínimo dois anos, mas pode se estender além disso, de acordo com as características e necessidades individuais. Há situações que se restringem ao tratamento de controle por não haver ainda um tratamento resolutivo; nesses casos, o controle só ocorre enquanto a medicação é usada. Em alguns casos, é necessário utilizá-la ao longo de toda a vida.

Como é a consulta psiquiátrica ?

 Durante o processo de avaliação psiquiátrica, é interessante que o paciente seja o mais sincero possível ao fornecer as respostas às indagações do psiquiatra; dessa forma, o diagnóstico fica mais fácil, o tratamento pode ocorrer mais rápido e ser o mais eficaz possível.

A partir da coleta de informações, seu estado de saúde mental e físico será avaliado – tanto o atual quanto o pregresso – bem como suas predisposições genéticas a partir das informações sobre transtornos mentais na família. A análise se estende aos motivos que podem ter desencadeado os sintomas atuais e sobre suas áreas de funcionamento profissional, familiar, social, cultural e psicológico. É possível que o psiquiatra solicite exames laboratoriais e complementares, da mesma maneira adotada em outras especialidades. Pode ocorrer, também, que o paciente seja solicitado a preencher formulários específicos para clarear alguns sintomas.

Tratamento e acompanhamento

Após a consulta e definição de um possível diagnóstico, é importante que o tratamento seja adotado, que todos os medicamentos prescritos sejam tomados adequadamente e, por fim, que se evitem fatores que possam alterar o efeito dos remédios, como o consumo de álcool ou de qualquer outro tipo de droga.

Flávio Vervloet

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