Confusões causadas pelas indicações dos psicofármacos

Medicamentos em psiquiatria
Psicofármacos

É muito comum o estranhamento por parte das pessoas que iniciam o uso de psicofármacos, como também é frequente o pouco entendimento sobre as categorias de transtornos para os quais são indicados. Ao ler a bula de um determinado medicamento, essa classificação é claramente evidenciada, o que normalmente assusta e causa dúvidas. Nesse sentido, algumas pessoas ficam confusas e entendem que a prescrição daquele medicamento indica um diagnóstico do psiquiatra para o seu caso segundo a classificação e as indicações contidas nessas bulas. Sendo assim, é importante esclarecer o assunto.

Há três termos gerais, empregados de forma intercambiável, que descrevem os fármacos destinados ao tratamento de transtornos psiquiátricos: medicamentos psicotrópicos, medicamentos psicoativos e medicamentos psicoterapêuticos. Tradicionalmente, tais agentes foram divididos em quatro categorias; com o tempo, porém, essas distinções por categorias se tornaram menos válidas e limitadas.

Os medicamentos antipsicóticos ou neurolépiticos eram usados inicialmente para tratamento direcionado às psicoses; atualmente, também são aplicáveis a outros transtornos: controle do transtorno de espectro bipolar e como coadjuvante no tratamento do transtorno ansioso e depressivo.

Os medicamentos antidepressivos eram inicialmente usados exclusivamente para o tratamento de depressão. Atualmente, também são usados para tratar outras condições tais como: transtornos ansiosos (pânico, ansiedade social, obsessivo-compulsivo), estresse pós-traumático, hipocondria, disforia menstrual e pré-menstrual, tratamento auxiliar de transtornos alimentares, tiques, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, dentre outros. Podem, ainda, ser utilizados como coadjuvantes no tratamento do transtorno bipolar do humor, esquizofrenia, controle do tabagismo e em outros transtornos bem definidos.

Os medicamentos antimaníacos ou estabilizadores de humor (alguns também usados como antiepilépticos) eram empregados para tratar o transtorno bipolar mais grave. Atualmente, são usados para tratar as variáveis do espectro bipolar (transtorno bipolar tipo I e tipo II, ciclotimia (oscilações frequentes de caráter crônico), prevenção do suicídio, como coadjvantes em tratamento de controle de impulso, da dependência química e do transtorno de personalidade.

Os medicamentos antiansiedade ou ansiolíticos, utilizados inicialmente para tratar estados ansiosos, atualmente são vistos como medicamentos sintomáticos e aplicados exclusivamente como coadjuvantes no tratamento dos transtornos ansiosos em função da baixa resolução que oferece para tais transtornos e risco de dependência medicamentosa, principalmente se usados isoladamente. Os ansiolíticos também são usados como sintomáticos em insônias e estados agudos de ansiedade, atuando como calmantes ou sedativos. Há outra definição vigente para esses medicamentos, qual seja, hipnóticos ou indutores do sono.

Medicamentos estimulantes formam uma categoria posterior às anteriores e são usados para tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. Em algumas circunstâncias, também são receitados como coadjuvantes no tratamento de depressões mais graves.

Os fármacos dessas categorias também são eventualmente utilizados para sintomas e condições como insônia, transtornos alimentares, transtornos de conduta associados à demência e transtornos do controle dos impulsos.

Fonte de consulta: Manual de Farmacologia Psiquiátrica de Kaplan e Sadock, Artmed

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