Modelo Integral em Saúde Mental

Modelo Integral em Saúde Mental
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Modelos de compreensão do adoecer humano

Modelo biomédico

O modelo vigente de compreensão do adoecer humano é ainda o biomédico, onde a ênfase é dada aos fatores biológicos no desenvolvimento das doenças físicas e mentais. Apesar do modelo focado nos fatores biológicos ter sido necessário no desenvolvimento das ciências médicas e suas repercussões sobre os serviços de saúde no mundo ocidental, não tem sido um modelo que permita uma solução mais ampla nesse campo1.

Modelo biopsicossocial

“O modelo biopsicossocial ou Integral permite que a doença seja vista como um resultado da interação de mecanismos celulares, teciduais, organísmicos, interpessoais e ambientais. Assim, o estudo de qualquer doença deve incluir o indivíduo, seu corpo e seu ambiente circundante como componentes essenciais de um sistema total (único ou particular). Os fatores psicossociais podem operar para facilitar, manter ou modificar o curso da doença, embora o seu peso relativo possa variar de doença para doença, de um indivíduo para outro e, até mesmo, entre dois episódios diferentes da mesma doença no mesmo indivíduo.”1 O modelo biopsicossocial ou Integral vem se consolidando progressivamente a partir das pesquisas envolvendo epigenética2,3 e psiconeuroimunologia.2

Limitação do medicamento biológico (Psicofármaco)

Apesar de ter trazido avanços significativos no tratamento dos transtornos mentais, a psicofarmacologia não se mostrou efetiva no sentido de prevenir recaídas, na remissão completa dos sintomas e na recuperação4,5. Estudos envolvendo o uso de estratégias não farmacológicas vêm demonstrando a eficácia de alguns tratamentos psicológicos e psicoeducativos na prevenção de recaídas, bem como melhoria dos sintomas subsindrômicos residuais ao tratamento psicofarmacológico5.

Abordagem de atuação multidisciplinar em saúde mental

O modelo integral em psicopatologia abre espaço para uma abordagem de atuação multidisciplinar e interdisciplinar em saúde mental. Tal fator mostra-se cada vez mais favorável ao tratamento com foco integrativo e, sobretudo, na profilaxia e cuidados em saúde mental.

Além dos aspectos genéticos e biológicos, essa perspectiva mais ampla engloba os aspectos culturais, socioeconômicos, psicológicos, comportamentais, ocupacionais e ambientais que requerem, claramente, uma abordagem multidisciplinar. Para tanto, apesar dos saberes distintos e complementares, é necessária uma linguagem comum. Uma psicopatologia que englobe todos esses fatores pode ser uma ponte entre as várias áreas envolvidas com saúde mental.

Flávio Vervloet

Referências:

  1. Giovanni A. Fava & Nicoletta Sonino, O modelo biopsicossocial: Trinta anos depois. Psychotherapy and psychosomatics. 2008; 77: 1-2.
  2. Mathews, Herbert L., and Linda Witek Janusek. “Epigenetics and Psychoneuroimmunology: Mechanisms and Models.” Brain, behavior, and immunity1 (2011): 25–39. PMC. Web. 14 June 2016.
  3. Freitas-Silva, Luna Rodrigues and ORTEGA, Francisco Javier Guerrero. A epigenética como nova hipótese etiológica no campo psiquiátrico contemporâneo. Physis. 2014, vol.24, n.3, pp.765-786. ISSN 0103-7331.
  4. Andrade, ACF. Abordagem psicoeducacional no tratamento do transtorno afetivo bipolar. Psiq. Clin. 1999; 26(6):1-8.
  5. Colom, Francesc and VIETA, Eduard. Melhorando o desfecho do transtorno bipolar usando estratégias não farmacológicas: o papel da psicoeducação. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2004, vol.26, suppl.3, pp.47-50. ISSN 1516-4446.